
Chegou ela mais uma vez: a crise! Aff, de vez em quando ela aparece só para dizer: “Tow” aqui, você não esta sozinho! Acho estranho as pessoas dizerem que tudo na vida é condicionado a alguma crise, como a atual (não mais atual, neste momento) crise econômica nos EUA que arrasou com o resto do mundo, a crise de terremotos, seguidos um atrás do outro no Haiti, Chile, China, Japão, e até mesmo no Brasil. Bem, mas estou escrevendo sobre minha crise do 20 anos, que chegou assim, de repente, sem menos esperar, ou melhor, esperei 20 anos para que ela chegasse...
Tudo começou com minha primeira crise, lá pra meados de 1995, quando fui matriculado na pré-escola. Não conhecia nada, nem ninguém, nem estava preparando para um mundo novo que surgira dali em diante face a minha vida. O medo dos colegas, da professora, e o pior: ficar longe de “mainha“, mas passou, rapidinho. Minha segunda crise demorou um pouco, mas daí ela surgiu em no final de 1999. Ano novo se aproxima, em especial por ser novo milênio: 2000, todos diziam: “O mundo vai acabar em 2000”. Aquele réveillon foi aterrorizante, achava que nem chegaria a estudar no principal colégio da cidade, uma vez que o meu anterior só tinha (tem até hoje) o ensino fundamental I até a 4ª série. Essa crise foi superada com muito animo, e com um astral incrível, escola nova, vida nova! Porém, aos 12 anos, numa das piores crises existenciais de alguém, quando você deixa de ser criança, mas ainda não é adulto acabamos por descobrir um mundo novo. A principal consequência: deixamos a inocência de lado, rasgada de forma arbitrária pelos adultos que nos consideram capazes de acompanhar seu raciocínio sexual e vulgar. As mudanças do corpo, o crescimento acelerado de pêlos onde você nem esperava (Rsrs), o período AM/FM, a atração por outras pessoas da sua idade, enfim, o ser humano nessa fase sofre! Pra variar, acho que é uma das crises mais “longas” da nossa vida, essas transformações acontecem tão rápido, mas ao mesmo tempo tão devagar, e não sabemos se queremos ser adultos logo, ou ser crianças por um pouco mais.
Perdurei nessa crise até os 14 anos, época em que iria enfrentar um mundo maior, a necessidade de sair do Fundamental, para o Ensino Médio. A partir daqui deixei totalmente as fraudas e mamadeiras de lado, já era capaz de raciocinar, com muita imaturidade ainda, mas já sabia, mais ou menos o que queria da vida! Enfim, foram os considerados Anos Dourados, onde as amizades enraizaram-se, os primeiros amores joviais surgiram avassaladores, o primeiro beijo, mesmo sem saber beijar ainda...
Crise superada! Até a chegada da crise do quem sou eu, para onde vou, de onde eu vim, o que estou fazendo aqui?Foi meio que uma crise filosófica, época do vestibular, o que eu vou fazer para o resto da minha vida, achava esse “resto” muito, uma vez que havia vivido míseros 17 anos, seria realmente o que fazer com toda a minha vida, onde estudar, onde morar, sei lá, quase enlouqueço. Fiz dezenas de testes vocacionais em sites da net, em revistas, jornais, e nada, ou eu gostava de muita coisa, ou tinha medo de me frustrar no mercado de trabalho (ainda tenho esse medo). Profissão escolhida, hora de estudar para o vestibular. Terrível, na melhor fase da sua vida, você ter que limitar as festas, as conversas, as horas na internet, no MSN, mechendo no orkut, etc. Mas o esforço vale a pena. Aprovação no vestibular ainda não garantiu o fim dessa crise, apenas fez com que ela se estendesse até a chegada da próxima, sem interrupções: a crise dos 18 e a da Universidade.
A dos 18 é aquela que você acha que já é dono do próprio nariz, meus pais não mandam mais em mim, eu faço a minha vida do jeito que eu quero e bem entendo... Engana-se quem pensa assim, ou seja, todos os “aborrecentes” recém-saídos do 17 anos. O que acontece a partir daqui é que as coisas permanecem do mesmo jeito, nem há barreiras de fronteiras que delimitem que estamos no auge do 18 anos, a única coisa que muda é que se cometermos um delito, vamos pra cadeia...Já a crise da Universidade, vou chama-la de crise do calouro é como se você fosse uma pequena ilha no meio do oceano, tendo que aprender a conviver com a imensidão das águas, enfim, um novo universo com pessoas de pensamentos e valores bastante diversificadas. É nessa crise que começamos a aprender quem somos e que função iremos desempenhar na sociedade. É uma fase fática, porém cheia de novidades.
Enfim, antes mesmo de sair da crise do calouro, me deparo com a pior de todas as crises vividas por mim até hoje: a crise dos 20 anos. Acompanhada por outra crise sub-existencial:a crise do coração despedaçado que contribui para uma intensa sublimação no correr dos findos 19 anos. Imaginar que o algarismo 1 nas dezenas de minha idade vão deixar de existir, acarreta numa série de síndromes de desespero. Ficar velho, maduro, mas inexperiente. É complicado, ter que provar que é adulto, lutar por seus objetivos, e acima de tudo, já ter a mente aberta para todo o tipo de ideologia advinda das relação com os outros. Trabalhar para garantir minha independência financeira, sonhada desde a crise dos 18 anos garante um poderio de ser capaz. Deixar de sonhar com alguém pra te fazer companhia pela frente e fazer com que esse mero sonho deixe de ser ilusão. É o momento de aprender com os erros, e fazer com que não os cometa mais, de perceber minha humanidade disfarçada por trás de uma carcaça de carne e ossos. Espero que essa crise dos 20 anos me ajude a amadurecer, a controlar meus sentimentos, a respeitar quem e o que EU sou. A amar os outros, depois que amar a mim. Quanto a crise do coração despedaçado, deve ser coisa de momento, logo supero, tenho certeza disso. Ela esta presente em todas as fases da vida de alguém. As vezes achamos que ela surgiu mais forte, ou será que nós estamos mais fracos?
Mas acima de tudo, estou aqui, pra superar mais uma crise, e aguardar a próxima. Já passei por outras, essa é apenas mais uma.
Viva a crise dos 20 Anos, só se tem uma vez na vida!!!



